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Publicado por Elizabeth Misciasci em 03/12/2009 18:46:00

Preconceito por Vânia Moreira Diniz

Vânia Moreira Diniz
Por: Vânia Moreira Diniz

Muitas vezes imagino como o preconceito é triste e ao mesmo tempo incompreensível. Desde pequena procuro entender o que faz com que alguém pense em distância em relação a outro ser humano.Na verdade não consigo absorver essa espécie de sentimento ou sensação que se apodera de certas pessoas.

Época que pode bem caracterizar esse preconceito foi durante o apogeu de todo o império Romano. A sociedade era dividida em castas. A primeira categoria tinha todos os privilégios, a segunda alguns e os escravos nenhum direito e eram considerados como coisas Res nulius. Isso durou até o ano 565 da Era Cristã. O que podemos deduzir o quanto era antigo esse hábito. E retrógrado.

Hoje, tanto tempo depois embora legalmente seja proibida a discriminação ela continua nos sentimentos de muita gente. Pensando bem ficamos imaginando que ele afasta os seres humanos de uma maneira cruel. Já não é uma questão legal, mas de fraternidade e amor universal!

Há muitos anos conheci alguém que se encontrava atormentada. Acreditava que estava marginalizada numa sociedade, ou melhor, colégio em que só se abrigava crianças ricas e nascidas confortavelmente.

Era muito pequena ainda, mas tinha a justa noção dessa separação quase inconsciente fruto de mentalidades pequenas e incultas. Não queria sofrer e pedira à mãe que lhe tirasse dali. E pela vida afora fui vendo essas distorções que me deixavam surpresa e apavorada. Olhava-a procurando compensar seu sofrimento, mas a minha pouca idade não dava margem a que realizasse grandes coisas. Mas isso ficou principalmente dentro do meu coração como a maior forma de injustiça. Convivi depois com essa menina e pude entender o quanto isso a havia magoado. E com razão.

Quando vemos as pessoas sofrerem tanto, por toda espécie de aflição que a vida impõe em que já somos impotentes para suavizá-las e minorá-las, em que não sabemos o que o futuro reserva e que tristezas nos assolarão nos males que arrasam a dignidade do ser humano tornando-os vulneráveis e infelizes, mesmo assim criamos outros e mais dolorosos. E digo mais porque é infligido por um semelhante que por acaso e não por merecimento pode ocupar um espaço maior na existência e na sociedade. Os menos favorecidos, aqueles que de uma certa forma foram excluídos pelo seu irmão hão de sofrer e sentir uma angústia desmedida muito mais pela marginalização do que por qualquer outra coisa.

Estamos numa nova era em que todos procuram fazer votos de uma vida diferente e melhor. Por que não repensar esse lado tão humano e que continua mesmo ocultamente a dominar várias mentalidades?

Nova era significa progresso em todos os sentidos num momento em que a tecnologia facilita nosso caminho e em que caminhamos com mais fé em dias melhores contando com uma qualidade de vida menos acre.

Nova Era é renovação, esperança, luzes de entendimento e solidariedade. Igualdade. Sentimentos nobres. Vida longa e produtiva. Descoberta de males considerados desesperadores. Remédios que surgiram para doenças ainda incuráveis que transtornam de sofrimentos milhões de pessoas na humanidade e um grito de socorro que pode ser aliviado.

Esperemos que isso aconteça também com qualquer tipo de preconceito que alucina a mente de suas vítimas. E é claro que terá que ser considerado de imediato um trabalho de conscientização de cada pequenina criança para que elas desde cedo aprendam a amar no sentido mais amplo, mais profundo e mais belo. E isso porque todos deverão se dar as mãos numa era em que a renovação e redescoberta de valores e de generosidade impõem uma atitude imediata e transparente.



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