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Publicado por Elizabeth Misciasci em 24/07/2010 06:29:00

Eugenio de Sá

Provavelmente...
Por Eugenio de Sá


Foto: Reprodução

Crônica de Eugénio de Sá Título: Provavelmente - Foto Reprodução

Provavelmente, os pais destes meninos irão votar num País, onde o voto é obrigatório mesmo.
Isto é estranho, já que como é sabido, a normal conduta numa verdadeira democracia considera o voto unicamente como um direito e um dever cívico.

Mas, continuemos... Provavelmente os pais destes meninos serão levados a votar contra os seus próprios interesses e os dos seus filhos, iludidos pelas palavras doces que lhes prometem um qualquer cestinho de compras mensal, ou outro logro parecido.
Se a isto juntarmos o induzido resultado dos (maus) exemplos que vêm na televisão, ou mesmo ao vivo, vindos de quem veio do povo a que eles pertencem e que hoje tem posição relevante, temos aí os ingredientes suficientes que podem justificar uma má opção.

Vejamos: Sem educação não há discernimento correcto e, não o havendo, qualquer ser humano assim (im)preparado fica sujeito a toda a casta de manipulações perpetradas por gente ambiciosa, sem escrúpulos e faminta de poder, que precisa dos seus votos para levar por diante projectos que negam qualquer doutrina verdadeiramente empenhada em melhorar a existência dos que os puseram no poder, mormente a obrigação de lhes dar a educação que lhes falta.

Tais manipuladores, falam, gritam mesmo as mentiras que mais lhes convêm, porque sabem que, se levassem a cabo um verdadeiro programa de ensino, alargado aos mais remotos recantos da pobreza, ainda e sempre maioritária, isso iria promover um verdadeiro “hara-kiri” político a médio prazo, o que lhes frustraria as intenções de se perpetuarem no poder e depois deles os seus designados delfins.
Esses meninos, tal como tantos outros, irão, assim, manter e engrossar as estatísticas dos (dóceis) iletrados, ou pouco mais que isso, e o pior é que, provavelmente, irão ver, num curto futuro, as suas liberdades coartadas por governos que se encaminham para um autoritarismo caduco, cuja (alegada) inspiração marxista permanece viva numa ilha que todos conhecem - bem como o que lá se passa - mas que, na realidade, morreu de podre, faz tempo, na sua pátria natural. Há mesmo quem afirme que se hoje Karl Marx fosse vivo não seria marxista, simplesmente porque as realidades são bem diferentes das vividas então.

Esses meninos que aí vêm podiam ter sido fotografados num qualquer moceque, ou favela, dos arrabaldes de Quito, de Caracas, do Rio ou da Baía, de La Paz ou de Manágua, por exemplo (?). Sobre eles pairam idênticas ameaças, a juntar à sua desgraça natural; a miséria, semelhante em todo o mundo, mas esvaziada de esperança onde se nega a justa e merecida educação a povos inteiros. Porque, nos países geridos por uma verdadeira democracia, não se condenam ao ostracismo e à consequente desespero as novas gerações.

Estamos em tempo de crise e de desemprego, é verdade, mas onde impera a verdadeira democracia continua, de uma forma crescente, a destacar-se elevadas percentagens do PIB justamente para a educação, porque ela é considerada factor primordial para o desenvolvimento da sociedade. As tensões sociais que existem levam à prisão, é verdade, mas só de indivíduos acusados de delitos comuns, não de presos ditos politicos, só porque esses levantaram a voz contra o poder instituído. Os orgãos de comunicação agem livremente, e seria impensável ordenar o seu encerramento à força, porque não são a "his master"s voive" do governo, ou porque o criticam. Numa verdadeira democracia não se prometem "esmolas" enganadoras indiscriminadamente; entregam-se, a quem prove que realmente necessita e merece, meios do serviço social para que subsista com dignidade enquanto durar o seu desajustamento involuntário.
E numa verdadeira democracia não se impede ninguém de seguir viagem para onde acredita que terá melhor futuro.

Provavelmente, a grande maioria dos destinatários úteis deste e de outros alertas publicados na internet a eles não terão acesso e, mesmo que alguns o tenham, provavelmente não os vão entender ou, entendendo-os, decidirão fazer-lhes orelhas moucas. Mas, mesmo assim, vale sempre a pena!

24 de Julho de 2010
*Nota do Editor Eugénio de Sá, escreve desde Bogotá, Colombia, um país da América do Sul. Livre e com justas perspectivas de continuidade dessa liberdade e do progresso do seu povo, graças a Deus e às livres consciências que souberam uma vez mais votar pela verdadeira democracia.
Da Redação Revosta zaP!

Conhecendo um Pouco mais do Escritor e Poeta Eugénio de Sá
Pelo Próprio Autor: Eugénio de Sá
Eugénio de Sá. Poeta e Escritor

Nasci em 1945, no típico bairro da Ajuda, em Lisboa, Portugal.

Lá do alto, pode ver-se parte do belíssimo estuário do Tejo e ainda se vislumbra o espaço vizinho da Torre de Belém, que assinala o local de partida das naus portuguesas a caminho da epopeia dos descobrimentos.

Lisboa está-me nas veias, tal como a literatura e a poesia, que sempre me cativaram o espírito.

Todavia, e por circunstâncias da vida familiar, cedo conheci Sintra, onde vivi e estudei durante toda a fase do ensino secundário. Uma vila encantada, que ainda hoje visito regularmente.

A frequência do Instituto Comercial e da Faculdade de Economia levaram-me, de novo, ao quotidiano da capital, até que chegou o tempo de cumprir o serviço militar. Corria então o ano de 1966.

Cinco anos volvidos, e depois de uma breve passagem por uma multinacional norte americana, tomei rumo na redacção de um jornal que então havia iniciado a sua publicação. Começava aí a tomar forma a minha natural vocação pelo mundo da comunicação, onde evoluí durante mais de trinta anos, divididos entre a escrita, a vida comercial e a publicidade. Sempre na cidade de Lisboa.

Conheço parte da Europa e alguns países do norte de África, onde a minha natural apetência pela história dos povos me foi levando.

Hábitos de leitura, a que uma avó querida não é alheia, dotaram-me de vontade e gosto pelo conhecimento. Entre os momentos que lembro em que o espírito mais se deliciou, avultam os consagrados à leitura dos grandes mestres portugueses; de Luís de Camões a Eça de Queiroz, de Alexandre Herculano a Camilo Castelo Branco. Todos contribuíram muito para o meu enriquecimento espiritual.

O deslumbramento pela poesia chegou em 1968, trazida num livrinho que recebi das mãos de José Saramago, ao tempo colaborador do Jornal A Capital, onde iniciei a minha actividade de comunicador. Ainda guardo esse exemplar autografado pelo meu amigo e nosso prémio Nobel. Chama-se: "Provavelmente Alegria".

Já reformado e após ter assegurado cerca de uma ano o pelouro da Cultura e Comunicação em Alverca, decidi instalar-me em São José do Rio Preto, no Brasil, onde assumo, na AVPB - Academia Virtual Poética do Brasil, a vice presidência e a assessoria literária e edito o espaço Poesia&Literatura deste importante site, reconhecido como um dos melhores do Brasil.

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