Publicado por Elizabeth Misciasci em 24/07/2010 06:01:00
Uma enorme poltrona de balanço num canto da sala, aonde ao repousar seu corpo cansado, alimentava a recordação de fatos passados.
O imenso cômodo que alojava inúmeras peças de arte, naquele momento, tornava-se apenas um refugio, que de forma aconchegante acolhia uma mulher e seus pensamentos. Com uma taça de Ca " Bianca Barolo nas mãos e impulsionando um balançar suave podia contemplar seus dias, observando a garoa fina que pela fresta da janela despia-se aos seus olhos.
Prevendo o fim daquele tempo, temendo adormecer, Ana, que só tocava Bolero de Ravel, ousou Chopin e retornou aos seus imperiosos pensamentos, lá estava um corpo e um coração, hospedados em um cobiçado vison Francês se delatando em fantasias.
Imbuída no tinto vinho que lhe adoçava o paladar, inclinou o olhar e passou a fitar diante de si um oculto ser, que lhe retirando a taça das mãos convidou-lhe a uma dança. Por onde entrou, pra onde iria, estava bem longe de um mérito a ser julgado, bem como, sem poder precisar se tratava de um imaginoso sonho ou emane fantasia, deixou-se levar.
Tentou desvendar quem seria o enigmático ser a acompanhá-la naquela estonteante aventura, mas fazendo-se nublada visão desistira apenas se permitindo.
As lembranças que a levaram no início da noite aquela poltrona de balanço, já se faziam fortuito passado e, entre gargalhadas rodopiava atrevendo-se a compor letra já sob a quinta sinfonia.
Eis que o soar insistente da campainha, forçava Ana a recobrar os sentidos. O perfume de grama molhada era substituído por um forte cheiro de álcool predominante por todo o ambiente.
Desperta com a presença de mais uma vizinha que chegava para visitá-la, defrontou-se com sua dura verdade. Naquela humilde cama, centralizada no quarto do barraco em que vivia, passou os dedos por cima da colcha de retalhos que lhe encobria do frio e pressentindo a presença mórbida e ao mesmo tempo perigosa do companheiro que embriagado dormia num colchão ao lado, chorou.
Ana havia "surtado"... - Agora, queria morrer!
Por: Elizabeth Misciasci
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