Publicado por Elizabeth Misciasci em 03/12/2009 21:04:00

O mais complicado é quando o efeito da bebida passa e a pessoa acredita ter encontrado o grande e verdadeiro amor de sua vida...
- "Não há tempo para avaliações, nem tão pouco reconhecimento de falhas cometidas e a cometer, o bom da “farra” apenas para uma das partes, (aquela que não reflete a realidade), vai se tornando necessário, e junto á esta necessidade, pode ocorrer, (como em inúmeras situações) a dependência orgânica do álcool."
Alguns “pequenos excessos” ao se consumir bebidas alcoólicas, podem transformar a visão de uma pessoa sob outra, e este "fenômeno", também se estende a ações e fatos que interpretados isoladamente, e apenas por quem bebeu, ficam distorcidos, bem distantes da realidade.
Claro que existem pessoas que independente da bebida, medem as qualidades de alguém, apenas e tão somente pela aparência, e por assim ser, tudo vale a pena, principalmente se o impulso que objetivar a ação, estiver centrado em uma nova conquista que não se atenta á realidade, mas que dá ao "rótulo" uma falsa verdade.
No pequeno e desordenado universo dos descompromissados, o importante é apenas o atrativo, e ao eximir-se, torna-se um elevado expoente, completamente exposto á acarretar possíveis e sérias consequências futuras, (já que levianamente, se seduz com o que se mostra à primeira vista), ignorando o que desconhece, ou seja, o conteúdo...
Mas, se há os sóbrios que preferem riscos, o que podemos imaginar destes, sob os efeitos de uma dose de álcool no sangue(?)...
Unanimemente, os estudiosos como Barry Jones, professor de psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, afirmam que “a percepção de beleza aumenta 25% com 04 copos de vinho ou 11 de cerveja”.
Vinte e cinco por cento, é um considerável percentual, que pode não só alterar a percepção, mas sim provocar expressivas mudanças comportamentais, levando á incógnitas consequências.
Os indivíduos que normalmente reprimem seus sentimentos são pessoas mais propensas a fazer cenas ou criar atritos, depois de se excederem na bebida. Infelizmente, nem todos que passam por situações que constrangem e chegam a decepcionar as pessoas, tomam consciência de que fato semelhante não deve se repetir.
- "Qualquer nível de álcool no sangue altera o comportamento" afirma o professor da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de Brasília (UnB) Dr. David Duarte Lima.
Na vida em comunhão, quando há reincidência de atitudes negativas, que vão se processando por graus decrescentes na escala da afetividade, o desgaste, a vergonha, o descomprometimento com o pudor, vai ferindo a vida afetiva.
Claro que nem todos os problemas referentes à traição, desrespeito e falta de carinho nascem da bebida, mas não são pequenos os estragos que o álcool pode fazer na relação, e consequentemente na instituição familiar.
Cientes dos feitos enquanto sóbrios, há os assumidos, que agarrados na justificativa de uma momentânea fraqueza, descarrilham promessas de que o erro não mais se repetirá. No entanto, basta um convite qualquer, e as promessas caem por terra, retratando em conta gotas, que algo vai mal, e que a satisfação maior, esta mudando rapidamente de endereço.
Já não se trata de um choppinho com os amigos, ou uma escapadinha para espairecer depois de uma difícil e cansativa semana, mas sim o afã de noitadas, sem rumo nem hora pra nada, que por um "bom embalo" regado à bebida pra poder "relaxar", se soltar na "multidão" e mandar na situação, vale tudo! No entanto, este tudo, tem haver principalmente com as desculpas já preparadas, "na ponta-da-língua" ligadas á fraqueza, e somadas às mentiras.

É aí que o casal começa a se dividir, a mentira passa a ser necessariamente fundamental para uma suposta saída de emergência e esta se faz pela metade, sem a parceria.
O antigo espaço aconchegante, começa a se transformar em um cubículo sufocante! É sem dúvidas... O sinal de alerta!
Não há tempo para avaliações, nem tão pouco reconhecimento de falhas cometidas e a cometer, o bom da “farra” apenas para uma das partes, (aquela que não reflete a realidade), vai se tornando necessário, e junto á esta necessidade, pode ocorrer, (como em inúmeras situações) a dependência orgânica do álcool.
Em alguns casos a pessoa já não consegue se esquivar "do prazer" de beber e a bebedeira, em meio à “um bate papo”, pode pular rapidamente para o assédio e a busca de “alguém” mais compreensível fora do lar. Uns copos extras, não só pode causar “aquelas ilusões de ótica” como também inspira e aguça a euforia etílica, onde a atração primitiva e arriscada, provoca a traição sexual.
Numa época em que “ser atirada (o) é normal” dificuldade para encontrar parceria não existe. Tendo muita opção de escolha e esquivando-se da fama de “antiquado” o sentimento se modifica e o momento é só de “curtição”.
O mais complicado é quando o efeito da bebida passa e a pessoa acredita ter encontrado o verdadeiro amor de sua vida.
Isso acontece com certa frequência, e o que até então, seria reflexo da bebedeira, passa a ser compreendido como o início de uma paixão, sentimento aflorado após ter cumprido a obrigação de agir (na área sexual).
Não que a bebida seja a responsável exclusiva de uma traição, mas pode contribuir, ou servir para legitimar a parte que esta na defensiva, e já tem por costumeiro hábito alegar que a culpa foi da exagerada ingestão do álcool, apenas para se redimir ou se esquivar de suas faltas.
Sonhando acordado (a), o (a) traidor (a) passa a ver na (o) companheira (o) do dia-a-dia, uma (um) desconhecida (o) hostil e nociva (o), traça-lhe o perfil de uma outra pessoa. Sente-se lesado (a) na relação doméstica e como se a vida e o sentimento fossem comandados por um controle remoto, se acha com o poder da função de administrar cada botão, pois é muito fácil operá-lo para seu exclusivo bem estar.
O relacionamento então vai se tornando cada vez mais insuportável. O (a) traidor (a), que já banaliza a vida em comum e a pessoa que viveu ao seu lado, faz desta algo repugnante repleto de defeitos, "pintando" outro cenário da história que vivenciara.
Para ele (a) a (o) companheira (a) torna-se apenas um fardo pesado, que necessita ser punido (ás vezes até violentamente) para garantir, manter e exercer a "fidelidade" com a relação extraconjugal, que é intocável e perfeita, diante dos seus olhos.
Nestas alturas, começa a inexistir o diálogo, porém, se há a necessidade de omitir para os familiares e amigos, o que esta acontecendo, o (a) traidor (a) apela então para incorporar um personagem, afinal alguém futuramente terá que ser o culpado.
Certamente não será quem insistentemente errou que assumira sua culpa diante da sociedade ou da instituição familiar...
Com tanta coisa em jogo, quem esta sendo o "fanfarrão da vez", ou tenta ceder com um falso exibicionismo afetivo, ou se impõe, alegando que o melhor é deixar qualquer conversa para outra ocasião.
E como se nada de anormal estivesse acontecendo, vira para o lado e dorme, afinal, dormir é sagrado e brigar tira o sono da “ressaca”, impedindo que se sonhe com as horas de "amor" fora do lar. Horas estas que podem permanecer apenas nos momentos passados, como também podem se estender a um futuro relacionamento que dará definitivamente um basta no casamento.
Ás vezes, a facilidade do "trair", a desumanidade sarcástica para com a pessoa traída, e a falta de sensação de culpa, (já que esta fora imputada à bebida) faz com que o (a) traidor (a) sinta-se encorajado (a) e acessível á outras aventuras.
O primeiro (muito provavelmente), será o início de uma série, já que depois da agitação, a depressão ocupa o espaço, e quase sempre encontra um ombro pra apoiar o desconsolo....
Até aí, quem estava em casa, muitas vezes em aflição, preocupada (o) com o (a) companheiro (a) sente a repulsa da bebida, pois aprendeu e se convenceu ser esta a grande responsável, por aquele lamentável momento ou período de desacertos; porém ainda sem saber que não haverá mais espaços para ela (e) na vida do outro, releva, não imaginando à proporção que a noitada de porre, tomou.
Obviamente, nem todos reagem da mesma forma. Há os casos em que o (a) traidor (a) se culpa, sofre a verdadeira e profunda dor do remorso.
Sentindo o reflexo do tamanho da besteira que fez, aprendendo que apenas um deslize já foi o suficiente para que não se erre mais, tenta consertar o feito. Assim, não permitindo que as consequências de seus atos e falhas destruam esta relação e atinjam ainda mais sua (seu) parceira (o), recomeça de “cara limpa”.

Em qualquer situação, é inconcebível aceitar que o (a) traidor quando descoberto (a) se conceda o benefício de um "auto-salvo conduto", onde se exonera das satisfações, responsabilidades e esclarecimentos. Não querendo falar nem tão pouco ouvir, apenas se impõe. É à frente da impotente desigualdade na relação, que o diálogo inexistente, cede a vez, ao desrespeito.
Em diversas situações, se beneficiando da fraqueza do outro, o errado, mantém-se irredutível procurando initerruptamente retaliar, não ofertando opções, apenas ditando regras que de tão agressivas podem sim, chegar a violências físicas ou definitivo rompimento do relacionamento...
[O que indubitavelmente, em situações determinantes e imprecisas, é sempre bem melhor!]
Pois, mesmo que existam inúmeras delegacias especializadas, profissionais e entidades que preparados, possam coibir ações bárbaras, há mulheres que encontram apenas no silencio, a paz, a guarida e o bálsamo para estancar suas escancaradas feridas.
Sem assumir a insatisfação, falhas e erros, estando com o termômetro da intolerância no ápice, e com o sangue mergulhado no álcool, sobra pouco para relevar... No entanto, pra parte que esta "refém", passa da hora de agir,a reação é emergencial, se quiser resgatar o que esta preso apenas por uma tênue linha. Se não há mais cumplicidade, conversa, nem há a presença viva do par, é certo que passou da hora de se saber o que se quer e até onde o amor e a compreensão irão alimentar tudo isso. Assim, avaliando o todo, só restam três alternativas, e numa delas, o melhor caminho é buscar ajuda.
A Violência...
ainda é condição atual, (e que lamentavelmente predomina no cotidiano de muitas famílias), o feminil sequencialmente dilapidado, onde algumas vivem na condição deplorável de vítimas perpétuas, sujeitas ás surras e as mais perversas manifestações de violências, que com a presença corrosiva do álcool convivendo entre a relação, vai se agravando ainda mais.
No entanto, um fato é certo, manter-se inerte, na condição submissa, de aceitar copiosamente a bebida, e a traição num casamento que esta desmoronado, pode custar caro, com agravante de se ter ao final, que pagar um preço ímprobo e sobreviver de maneira inclassificável.
Por Elizabeth Misciasci
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