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Publicado por Elizabeth Misciasci em 24/07/2010 03:09:00

Famílias desestruturadas e endividadas

Famílias desestruturadas e endividadas

CARLOS LÚCIO GONTIJO




























Por: *Carlos Lúcio Gontijo
Da Redação Revista zaP!


O Estado brasileiro é uma lição cotidiana de violência e menosprezo em relação à vida das pessoas que o habitam. Todos os dias os meios de comunicação nos revelam a existência de cidadãos que morrem na fila da rede pública de assistência à saúde, crianças órfãs de pais vivos, que as abandonaram por não disporem de qualquer condição material e intelectual para sustentar a família que constituíram sob o signo da pobreza, uma vez que não têm emprego nem a formação educacional ou profissional exigida pelo sistema produtivo quase que completamente informatizado do mundo construído pelo progresso tecnológico.

Assistimos a exacerbado processo de aniquilamento de todos os valores morais e tradições que sempre nortearam a pacífica convivência em sociedade. O rumoroso caso envolvendo famoso jogador de futebol, uma candidata a modelo que se transformou em garota de programa e mais uma penca de ligações perigosas entre ex-policial e gente do submundo das drogas não passa de um exemplo emblemático para a consolidação da ideia de que o mesmo Estado. Estado este, que edita lei, proibindo o secular tapinha educativo, assiste impassível à morte de criança vítima de bala perdida, em sala de aula; que se apresenta inapto para projetar política capaz de ao menos arrefecer o número cada vez maior de jovens que tem a vida ceifada precocemente pela violência patrocinada por agentes da criminalidade generalizada.

É inegável o fato de que a economia do Brasil cresceu e houve a abertura de inúmeros postos de trabalho, contribuindo para a melhoria da massa salarial. Contudo, o que precisa ser analisado é a qualidade dos empregos oferecidos, onde o que temos é o antigo império de salários insuficientes para o cidadão arcar com as despesas de manutenção de uma família, pois não conta ele, com ajuda alguma do Estado que, muito pelo contrário. O enche de taxas e impostos, sem qualquer contrapartida em matéria de prestação de serviços. Ou seja, sem dinheiro no bolso, qualquer trabalhador corre o risco de perder um ente querido à espera de atendimento em posto de saúde da rede pública.

Em ambiente socioeconômico que assim se nos apresenta à razão livre de análise de fundo partidário, temos a ampliação de crédito ao consumo, que não perdoa nem os aposentados da previdência social. Integrantes de uma espécie de bloco de segunda categoria, onde o teto máximo destinado aos aposentados é menos de três mil e quinhentos reais (contudo a imensa maioria recebe mesmo é salário mínimo e o tal teto, com a incidência de fator previdenciário e tudo o mais, é índice praticamente inatingível), mas mesmo assim são alvos de intensa propaganda de bancos e financeiras que, sabedores de suas agruras e penúrias, os atraem para o empréstimo consignado, ao qual eles recorrem e a partir daí se tornam mais pobres ainda, pois passam a ter desconto líquido e certo, durante meses a fio, em suas aposentadorias. Ou seja, o mesmo governo que lhes paga uma mixaria decide torná-los presas fáceis do sistema bancário, propagando a guilhotina como se tivesse estabelecido uma prodigiosa e sensível medida burocrática salvadora.

Enquanto isso, as elites, a classe média e até os pobres ilhados pela violência, pelas balas perdidas e pelo sangue correndo nas ruas tomadas por uma cada vez mais indisfarçável guerra civil, reivindicam mais polícia na rua, mais presídios, trazendo-nos à mente a filosofia do grego Protágoras (480 a.C), que nos dizia que: - "O Estado que não educa suas crianças se vê na obrigação de, mais tarde, castigar os adultos", - como agora se dá com o goleiro Bruno, Bolão, Macarrão, Coxinha e tantos outros menos votados que fazem o show e o enredo dos programas televisivos especializados em colocar o cidadão em contato direto com a miséria humana.

Nota do Editor: Artigo Por *Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista
Da ALB-MARIANA, AVSPE E ACADSAL
www.carlosluciogontijo.jor.br

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