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Publicado por Elizabeth Misciasci em 29/09/2009 16:49:00

Parto na Prisão

Foto: Elizabeth Misciasci  - projeto zaP!Separar um filho da mulher que o gerou, depois do nascimento pode ser uma pena maior que a do encarceramento. Distanciar a mãe e o filho, após o período de aleitamento materno é um dos momentos mais dolorosos do cárcere feminino, pois os quatro ou seis meses que mães encarceradas permanecem com seus bebes, são diferentes da gestação e concepção extra grades.

Seria sem fundamento e com forte grau de crueldade, querer que mãe e filhos permanecessem atrás das grades, mais não oferecer a menor possibilidade de mantê-los juntos, durante o tempo que a lei determina, também é cruel, no entanto... Fato! Uma vez que muitas penitenciárias, não possuem estruturas nem para acolhimento da mulher gestante ainda presa.

A prioridade em mantê-los integramente juntos, faz com que este tempo seja sagrado e único, pois a única certeza existente é que logo haverá um adeus, que em milhares de casos, será para sempre. Em 98% dos casos os laços se fazem mais intensos, aonde um precisa incondicionalmente do outro, afetividade e amor que já nasce no útero seguindo lamentosamente durante a gravidez, que traz o peso da culpa que a mãe carrega.

Em condições muito além dos sentimentos maternais desenvolvidos em lares perfeitos, com filhos sonhados e planejados, filhos chegam ao mundo entre grades.
Gerar uma vida no cárcere e nele conceber, faz com que a Mulher quase sempre, vislumbre neste novo ser, uma nova concepção de futuro, alterando conceitos e levando muitas a repensarem seus erros.

O que antes, não havia sido medido, torna-se arruinado e esta consciência é clara deixando que as próprias cobranças interiores de cada mulher grávida na condição de presa, se condene impiedosamente, para tentar pagar como pode seu erro.
Todas as culpas se atenuam, quando com o filho já nos braços, a mãe sabe que tudo se perdeu e que o destino injusto reservado para aquela nova vida, foi tudo o que ela ofereceu. Destino incerto quase sempre, condenando também aquele pequeno ser, seu fruto... uma pesada sentença, onde os sentimentos tão extremos, que por terem muitas variáveis, são difíceis de se esgotar...

Na improrrogável hora da separação, a dor, o remorso a culpa, a perda mostram-se tão repletas de dor, que suas sequelas são marcas irreversíveis e indeléveis, assim sendo, nenhuma sentença aplicada pelas leis do homem, podem ser mais pesadas.
Há casos, em que a mulher não suportando o tamanho de sua culpa e o sofrimento da saudade, pratica o suicídio, já que com a separação nada mais faz sentido. Executar uma autopunição é a única forma de pagar pelo fracasso de ter provocado ou contribuído para que a seu filho lhe fosse retirado e jogado ao mundo.
Após a fase do aleitamento materno, se a mãe tem familiares, e estes se responsabilizam pelos bebes, tudo fica mais fácil ou menos dolorosos, pois estas crianças estarão sendo criadas no seio familiar.
Porém, nos casos em que as mães não possuem ninguém para olhar por seu bebes, a condição única oferecida, acaba afetando de forma cruel todo um contexto, pois
estas crianças, normalmente serão encaminhadas para uma casa de apoio, com futuro incerto e muito provavelmente, se perderam daquelas que um dia lhe deram a vida, tornando-se eterno: Paradeiro incerto e jamais sabido.


respeite os direitos autorais
*Nota:- Por Elizabeth Misciasci- O texto pode ser copiado, reproduzido, acrescentado em teses, artigos e tccs, trabalhos, pesquisas, desde que não seja alterado, nem modificado o teor, mencionada a autora, endereço e fonte. E seja destinado a obras Sem fins lucratícios.

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