Publicado por Elizabeth Misciasci em 24/09/2009 16:28:00

No Dia das Mães de 2006, a cidade de São Paulo está sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é o Comando, uma poderosa organização criminosa.
No meio do caos está a viúva Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: tirar o filho adolescente da cadeia. Rafael, 18 anos, está preso por ter se envolvido num incidente que terminou com a morte de uma jovem.
Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do omando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas à ua organização. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando os desafios, no limite ntre a legalidade e o crime.
Paralelamente, o Comando vive uma acirrada luta interna de poder e ao mesmo tempo enfrenta o inimigo comum: o sistema penitenciário. A crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é mediata. O Comando envia seu código: Salve Geral. E São Paulo vira um inferno.
Inspirado em fatos verídicos, "Salve Geral" conta uma história de ficção das mulheres por rás do Comando e mostra que quando a lei e a ética são postas em questão o que impera é a força.
Salve Geral, novo filme de Sergio Rezende, conta a história de uma professora de piano ue se envolve nos ataques realizados por uma facção criminosa em São Paulo no Dias das Mães e 2006.
Andréa Beltrão interpreta a protagonista, Lucia, cuja vida sofre uma reviravolta com a prisão e seu único filho. Determinada a diminuir a pena de Rafa, ela se aproxima de Ruiva, advogada o líder de uma facção criminosa, e começa a exercer pequenos serviços ilegais. Seu drama hega ao ápice no dia em que a cidade de São Paulo vira um caos, com ataques a delegacias de olícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos.
O numeroso elenco do filme são mais de 60 personagens com fala reúne atores com grande xperiência na cena teatral de São Paulo. Entre eles estão Denise Weinberg (Ruiva), Lee Thalor, que estréia no cinema no papel de Rafa, Bruno Perillo (Professor), Guilherme Sant’Anna (Pedrão), Eucir de Souza (Chico), Paschoal da Conceição (Dr. Pereira) e o carioca Kiko Mascarenhas (delegado Raul). Michel Gomes, que protagonizou ‘Última Parada – 174’, e Juliano Cazarré (‘A Festa da Menina Morta’, séries ‘Alice’ e ‘Força-Tarefa’) são outros
destaques do elenco.
As filmagens de ‘Salve Geral’ aconteceram no segundo semestre de 2008 e início de 2009, em cinco cidades: Paulínia e Campinas, no interior paulista, Rio de Janeiro, São Paulo e Foz do Iguaçu. O principal pólo de produção foi montado em Paulínia, onde a equipe passou 7 das 11 semanas de filmagem. No Rio as filmagens se concentraram no presídio desativado da Frei Caneca.
A Toscana Audiovisual assina a produção. Esta é a terceira parceria da empresa de Joaquim Vaz de Carvalho com o diretor Sergio Rezende. Juntos eles fizeram ‘Zuzu Angel’ (2006) e ‘Mauá – O Imperador e o Rei’ (1999).

ENTREVISTA
SERGIO REZENDE - DIRETOR
Um dos diretores e roteiristas mais ativos da história recente do cinema brasileiro, Sérgio Rezende é responsável por filmes como ‘Zuzu Angel’ (2006), ‘Quase Nada’ (2000), ‘Mauá - O Imperador e o Rei’ (1999), ‘Guerra de Canudos’ (1997) e ‘O Homem da Capa Preta’ (1986). Acostumado a inventar mentiras para revelar a verdade por trás de histórias reais, como gosta de dizer, inspirou-se nos ataques criminosos que pararam São Paulo e chocaram o Brasil para criar seu novo filme, ‘Salve Geral’.
‘Salve Geral’ tem um núcleo principal com cerca de 20 personagens e no total, mais de 60 com fala. Por que tanta gente?
SERGIO – Com a experiência de fazer filmes sobre personagens reais, aprendi que para contar a verdade é preciso inventar mentiras. A realidade não é reproduzível numa tela de cinema, alvez nem mesmo no documentário. Você faz pesquisas, funde personagens e histórias e procurar dar o sentido geral daquilo que se propõe a revelar. Acredito que mais do que contar uma história, o cinema tem obrigação de revelar o que há por trás dela. Nesse sentido percebi que
precisava ter muitos personagens, porque tinha uma trama multifacetada, que retrata a sociedade como um todo.
Quase todos os atores do elenco são desconhecidos do grande público e vieram
do teatro. Por que tomou essa decisão?
SERGIO - Acho importante sempre ter grandes atores nos meus filmes, mas desta vez, para preservar um pouco o mistério dos personagens, preferi que não fossem rostos facilmente reconhecíveis pelo público. Quer dizer, atores que não tivessem trabalhado em TV recentemente. Não queria que o personagem entrasse e o público pensasse: esse cara é o vilão, esse é mocinho. Então fui buscar no teatro de São Paulo, onde há uma riqueza enorme de talentos.
Andrea Beltrão, para quem você escreveu o papel de Lucia, e Denise Weinberg, a Ruiva, são exceções nesse universo. Por favor, fale um pouco do trabalho das duas.
SERGIO - Andrea é uma atriz extraordinária que também tem formação de teatro. Escrevi a Lucia pensando nela, mas por conta de compromissos dela na TV quase desistimos da parceria. Mas nossa separação foi um fracasso e, após um encontro casual numa loja, decidi adiar as filmagens por três, quatro meses para poder ter essa atriz criativa, dona de uma inteligência dramática inacreditável. Andrea tem uma vivacidade em cena impressionante. Ela não disse uma linha do texto como foi escrita. E eu, que em outros momentos fui muito cioso com minhas palavras, achei que era o momento de soltar um pouco as coisas.
A Denise é um acontecimento. Uma parceria antiga, mas que nos meus filmes anteriores não teve um personagem à altura de seu incrível talento. Desta vez teve um papel maior e fez uma dobradinha espetacular com a Andreá. Além disso, foi membro criativo da equipe, peça fundamental no processo de seleção do elenco. Abriu as portas do teatro em São Paulo, apresentou pessoas, participou dos testes e acolheu a todos durante as filmagens. É a primeira-dama do filme.
Na primeira versão do roteiro de ‘Salve Geral’, o marido de Lucia estava vivo e uma crise doméstica levava ao incidente do filho. Por que você decidiu mudar isso?
SERGIO - De tudo que vi e li sobre aquela onda de ataques o que mais me impressionou foi o poder das mulheres no mundo do crime. A sociedade incorporou as mulheres em tudo, mas a presença forte delas no crime foi uma surpresa e me causou grande interesse. Então lá pelo segundo, terceiro tratamento do roteiro, achei mais interessante que Lucia não tivesse ninguém por trás dela.
O filme tem seqüências incríveis de perseguição, tiroteios, incêndios, cenas ainda pouco vistas no cinema brasileiro. Você diria que fez um filme de ação?
SERGIO - Não é um filme de ação, mas de ação dramática. Acontece muita coisa, inclusive perseguição, bangue-bangue, mas a gente tentou pegar o espectador pela trajetória dramática dessa mulher que se vê diante de uma situação terrível e decide fazer qualquer coisa para tirar o filho de lá.

Para fazer as cenas de ação mesmo trouxemos gente de publicidade, profissionais xperimentados nesse tipo de trabalho.
As filmagens se dividiram entre Paulínia, Rio de Janeiro, São Paulo e Foz do Iguaçu. Mas quase tudo foi feito em Paulínia. Como foi essa experiência?
SERGIO - Paulínia está se tornando um pólo importantíssimo para o cinema brasileiro. Filmar lá foi uma coisa extraordinária para o filme. Construímos os cenários da prisão, encontramos locações, como a casa da Lucia, e principalmente ganhamos uma mobilidade e agilidade impensáveis numa grande cidade.
Não filmamos só em Paulínia, mas também em Campinas, que fica a meia hora e onde recriamos a São Paulo que não é cartão-postal. Depois passamos dez dias em São Paulo e duas semanas no Rio, onde filmamos no presídio da Frei Caneca.
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