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Publicado por Elizabeth Misciasci em 31/08/2010 22:27:00

Acre Seminário Mulheres Situação de Prisão

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Encontro que reuniu gestores e especialistas traça estratégias de ressocialização e inclusão das detentas no Acre


Nágila dos Santos cumpriu pena de dois anos na Unidade de Recuperação Social Francisco d"Oliveira Conde, condenada por roubo. Mãe de três filhos, usuária de drogas, ela cometeu o crime para manter o vício e hoje consta na estatística que aponta que a maioria dos motivos pelos quais as mulheres cumprem pena no Brasil está relacionada ao tráfico.

Hoje, do lado de fora, Nágila vive a partir do aprendizado que adquiriu dentro do presídio. Casos como o dela estão sendo discutidos durante toda esta quinta-feira, 02, no Teatro Plácido de Castro durante o Seminário Mulheres em Situação de Prisão, organizado e realizado pelo Governo do Estado por meio da Assessoria Especial da Mulher e Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), com aval do Departamento de Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça.

Quatro temas aprofundam a questão em palestras e debates sobre a realidade da prisão de mulheres no país.

Entre eles o Panorama do encarceramento no país, Alternativas Penais: a mulher e o tráfico, Políticas Públicas para Mulheres em Situação de Prisão e Aspectos e reinserção da mulher presas, este último abordado pela jornalista Elizabeth Misciasci presidente do Projeto Zelo, Amor e Paz - zaP e Embaixadora Universal da Paz no âmbito do Círculo Universal dos Embaixadores da Paz para quem a saída é a educação, "sempre". Elizabeth Misciasci destaca que diversas ações conjuntas facilitam o trabalho de reinserção como a cultura, a religião, arte e o aprendizado de uma atividade formal.

Segundo dados do Ministério da Justiça e de organizações de direitos civis envolvidos com este público, 80% da população carcerária feminina está envolvida com o tráfico. - "Muitas delas são mulas. Levam ou guardam drogas para seus companheiros, maridos, namorados e quando querem sair não podem mais, são ameaçadas de morte por esses homens", explica a secretária de Desenvolvimento para a Segurança Social, Laura Okamura, que aponta outro dado peculiar. Na prisão, as mulheres são abandonadas por suas famílias, tanto pelo marido e até pelas mães. Para cada grupo de 100 mulheres é registrada a presença de apenas dois homens. "Na prisão masculina é o contrário. Muitas vezes, as visitas incluem não só as mães, mas as irmãs e esposas", diz a secretária.


Com 211 mulheres presas nas unidades de Rio Branco, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, o foco do trabalho de ressocialização está sendo reformulado pelo Governo do Estado com o fortalecimento de atividades pedagógicas, artístico-culturais e de qualificação profissional por meio do programa Cidadania Feminina, Educação de Jovens e Adultos e implantação de programas de geração de renda dentro dos presídios como a malharia e ainda garante a remissão da pena.

"O número de mulheres presas aumentou muito nos últimos anos.
Temos que dar um outro olhar para esta situação. Como são um público menor e dão respostas mais rápidas aos programas oferecidos, o índice de reincidência também cai entre elas. Este seminário é uma excelente oportunidade para tratar do assunto e encontrar saídas que melhorem as ações para minimizar as mazelas que advém do cárcere", define o diretor presidente do Iapen, Leonardo Carvalho
.

A ex-detenta Nágila foi alfabetizada dentro do complexo Francisco d"Oliveira Conde. Antes sem trabalho, agora sustenta a si mesma e aos filhos fazendo e vendendo peças de crochê. "Isso deve continuar, porque do jeito que me ajudou, também pode ajudar a outras mulheres", sugere.

Por: Golby Pullig

Fonte
Agência de Notícias do Acre




Por: Golby Pullig - Notícias do Acre

Evento abre debate sobre políticas públicas que considerem a situação de mulheres nessas condições.

Em busca de meios de diferenciar o acolhimento penal de mulheres no Estado, o Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen) realiza na próxima quinta-feira, 2, no Teatro Plácido de Castro, o seminário "Mulheres em Situação de Prisão". Resultado de convênio firmado com o Ministério da Justiça por meio do Departamento Penitenciário (Depen), o projeto elaborado pelo Iapen tem o objetivo também de promover assistência jurídica a 100% das presas do Estado.
O evento abre discussão sobre temas que tratam das particularidades no atendimento de mulheres no sistema carcerário, como alternativas penais e aspectos da reinserção da mulher presa. Quatro representantes de instituições que defendem os direitos dessa parcela da população farão palestras durante o seminário.
Dirigido a servidores do sistema penitenciário e órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o seminário quer abordar questões que esclarecem os motivos da prisão de mulheres, suas consequências e peculiaridades de gênero. "É uma discussão mundial. Não dá para tratar todos iguais. É um recorte de gênero", diz a gerente de Controle e Execução Penal, Amábile Link, complementando que informações sobre os motivos pelos quais essas mulheres chegam à prisão geralmente envolvem necessidades específicas da família ou envolvimento com parceiros ligados ao crime. No Acre, levantamento indica um total de 196 presas nos presídios de Rio Branco, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul esta semana. Elas estão sendo atendidas há cerca de quatro meses por equipe de três advogados constituídos por meio do projeto elaborado pelo Iapen.

O seminário terá início às 8h30, com as palestras Panorama do Encarceramento Feminino no Brasil, com André Luiz de Almeida Cunha, diretor de Políticas Penitenciárias (Depen); Alternativas Penais: A mulher e o tráfico, com Heidi Ann Cerneka, vice-coordenadora Nacional da Pastoral Carcerária para a questão da mulher presa; Aspectos da Reinserção da Mulher Presa, com a palestrante Elizabeth Misciasci, jornalista, escritora e presidente do Projeto Zelo, Amor e Paz e Políticas Públicas para Mulheres em Situação de Prisão, com Maria Elisabete Pereira, diretora da subsecretaria de Articulação e Ações Temáticas da Secretaria de Política para as Mulheres/PR.

Com Informações na Íntegra

Agência de Notícias do Acre

Matéria Por: Golby Pullig

Seminário Mulheres em Situação de Prisão no Acre, projeto IAPEN, parceria Ministério da Justiça, DEP

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