A Revista zaP (zelo, amor e paz) é informação, humanismo, ressocialização e cultura

Site do Google

Publicado por Elizabeth Misciasci em 29/07/2010 19:31:00

Silas Corrêa Leite

Publicação Atualizada em Dezembro de 2011

Acesse em:

Salmo de Natal Aqui


Por: *Silas Correa Leite


SALMO DE NATAL DE ITARARÉ

(Itararé da Infância – Meu Reino Encantado)

Para Clarice Leite dos Santos, Minha Irmã




Autor: Silas Corrêa Leite



Minha Infância, meu maior tesouro

Ruas cor-de-rosa de Itararé

Éramos felizes e ninguém estava morto

Galos, noites e quintais; pirilâmpadas.

A mãe no tanque lavando roupa

O pai solando abismo de rosas no acordeão vermelho

Clarice, Sueli, Erzita, Célio e Paulo

E tínhamos todos os sonhos pueris do mundo...



Minha infância, minha Terra do Nunca

Nunca ninguém iria morrer

Nem ,jamais, nunca passaríamos fome

As estrelas eram como buscapés no horizonte.

A sopa de fubá com couve rasgada

O pai na Rádio Clube em programa protestante

Dona Eugênia, Maestro Antenor, e a Judite

Que nos trazia sempre guloseimas no Natal...



Minha infância, meu reino encantado

Agora é só um retrato na parede

O pai foi tocar acordeão para Deus

A mãe foi fazer polenta para Jesuscristinho no céu.

Nosso Natal é licor de ausências

Saudades de um tempo que já se foi no longe

Meu pinheirinho elétrico, pisca, colorido

Doces lembranças de minhas amanhecenças...



Minha infância. Meu Natal pobrinho

Carrinho de rolimãs, e Itararé

Toda encantada como uma Pasarágada que ali

Enfeitava a chiqueza de meu jeito de guri.

Hoje guardo no coração, dorido

Esse menino que cresceu; que tenho sido

Uma Itararézinha itinerante a salmar

Um Natal – Que é sempre a saudade do Lar!

-0-

Silas Correa Leite – República Etílico-Rural da Estância Boêmia Santa Itararé das Artes

E-mail: poesilas@terra.com.br -
Site: www.portas-lapsos.zip.net

Poema da Série “Eram os Itarareenses Andorinhas Extraterrestres?”

www.itarare.com.br

*

Publicação Abaixo em 29/07/2010 19:31:00
Pequena Resenha Crítica
Por: *Silas Correa Leite

Romance "UM", de Geraldo Lima

O Discurso Amoroso da Dialética Consciencial

" -Estou farto de muita coisa (...)
Eu quero a destruição de tudo o que é frágil"

Roberto Piva



Pequena Resenha Crítica - Romance

- O que pode o ser humano, senão, entre seres humanos, AMAR?

Parafraseando o poeta, é isso o que se dá, naquilo que Cazuza chama de sua metralhadora cheia de lágrimas, em Um, o romance de Geraldo Lima, LGE Editora, uma dialética do discurso amoroso em que permeia a consciência, o paradoxo, o ser humano (no caso, sensível), entre seres humanos, AMANDO. E com tudo isso, claro, a narrativa que vai e volta, choca e instiga, se esconde, aparenta, cita, permeia, desce e sobe, sempre sob o pântano da condição humana nas relações humanas. - Será o impossível?

Geraldo Lima debuta e enlaça narrativas como quadros cênicos dessa relação amarga-doce, bonita-feia, alegre-triste, sensual-bizarra, mas, antes de tudo, como as cartas de amores são ridículos; olha o Fernando Pessoa! Romances de amor nesses tempos pós-modernos também.
Pior, se entre o sagrado e o profano, a carne e o sangue, o santo e o convexo, vivenciam diálogos impertinentes, bem costurados com arrojo de criar sem cair na pieguice romântica do quase ou tanto... Pode se dizer que o amor acaba mas a saga continua. Ex-amores são para sempre?

Pois é: - O amor tem sim, loucura que a própria lucidez desconhece.

Como se descascasse uma cebola de relação que ameaça, explicita, sai de cena, pensa-se, o autor vai retaliando a relação, fatiando sofrências, acontecências, dando tempo ao verbo e o verbo se faz carne, como se faz tensão, solilóquio, espírito e carranca. Olha a consciência como leitmotiv. Ana é o fio de Ariadne ou Ariadne é uma consciência sagrada pesando, fio condutor, para um interlocutor (interlocutora - a consciência?) onde sempre depositamos o pão e o vinho, do que se vem da carne nas relações proibidas/permitidas, só sonhadas, quem o sabe? Crime e castigo? Ah o crime de amor que faculta o existir...

A consciência é a serpente que envenena intenções (ou possíveis intenções em treva branca), ou clarificando pensares, ilações/alusões, faz um inventário de partilhas íntimas, abre véus, aponta o que existe e até o que não existe?


Geraldo Lima demonstra isso aqui e ali, teatrizando ora o possível, o entendido como havido, o medo de algo-alguma coisa, resvalando ora na poesia, ora na prosa, ora meio que lispectoriano sem perder a mão (e a ternura) jamais. Gostoso lê-lo.

A Ana que foi (foi?) e já não é. A Ariadne que poderia ter sido e não foi. O entremeio, o intertexto, as citações, o seminário (que aqui vem de sêmen?...); o possível pecado de, o padre e os estudos, o corpo, a devassidão; nunca completam de uma perdição cobra-cega no paraíso do contar.

Que consciência é o divã? Divã de idéias; divagar delas, ah o romance como fio de meada, fio de Ariadne, olhar enviesado, tirar de véus, entrecortar, contando, entrecontar, cortando, pinceladas mágicas de ternura, sensibilidade, como se tudo entre quatro paredes, o voyouver, e vai por aí o bolero-(tango-) mixórdia da contação. O castiço a rapariga, o mortiço dos ambientes propositalmente turvos, e o sexismo, o amor e o pudor.

UM, o Romance de Geraldo Lima, poderia também se chamar Inferno, fosse invocada a consciência como narradora. Tudo bem, é o espírito que ama o espírito, antes do corpo amar o corpo... isso, nas fáceis vidas difíceis, mas, entre uma sedução e um seminarista, tudo ralhado, há bulhas e cismas. Periga ver. Sentir, chocar com o olhar do que conta o vai-da-valsa, com um medo-coisa, uma solidão-embuste, uma aparência que, sim, engana. - De propósito?

Depois que conhecemos o amor, em que lugar (de nós) deixamos as asas? Extremos e lumes. Sangria desatada a... De novo, consciência... Respingando sentimentos e ressentimentos. Tudo a ler.

- Que cenário é a mente, a casa, a história, lugares nenhuns, todos os lugares?

Paulo tece os momentos que passou com Ana, a quase fêmea-fatale (não são todas?), a mulher-aranha com quem morou por algum tempo. Fala da amiga Ariadne, tece acontecimentos e pessoas como referências de vida de passagem. E há o padre Artur, que lhe foi uma espécie de mentor.

Com o autor caímos na redoma de vidas, além, claro, de uma sua experiência transformadora que nos leva a reflexões ora incabidas, ora insabidas, ora sagraciais. Sim, meus irmãos, cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é, e o que não é.

Cada um sabe de que luz faz cruz, de que devaneio faz sentimento, de que santeria interior faz nau insensata, de que atitudes impróprias congelam momentos, visões, prismas. Escrever é colocar dúvida em nós mesmos, a partir de olhares novos sobre frinchas revisitadas.

UM é isso: um romance sempre no começo de uma relação que é posterior e anterior ao seu tempo estagnado, mas que viça pela palavra, se alonga, debulha, questiona, avalia e até trinca intenções. Há entrelinhas no ler...

Que milagre é amar e escapar ileso? Escrever é lembrar, lembrar é escrever/ascender (e acender velas na solidão de uma alma em conflito). Depois que um corpo conhece outro corpo, fugir é mergulhar nele, mesmo que seja num palavrear confeitos, contrastes e ramificações do verbo sentir. E pensar é sentir com a alma. A carne é fraca, meus irmãos, o Romance UM foge do cepo da consciência, para cair no labirinto das confrontações.

Um romance e tanto. E atual, moderno, nesses tempos em que uma igreja decrépita mostra as vísceras, em que a nódoa da historia nela depositada é remorso, e em que os que passam pelo genuflexório têm que rezar defeitos, lamúrias e resignações de fugas ainda não depuradas. Há um Deus? Periga ver.

A correnteza da narrativa é o contra-fluxo do medo de amar até a página tal, o lado b do que se passou. Há coisas no ar. UM é apenas o começo do zero ao infinito. Tudo pode ser como também não. Tudo pode ter acontecido, como pode ser um delírio bem orquestrado entre o que houve e o que se coube na relação até o limite do provável.

A mão que oferece a maçã oferece o delírio do corpo, da carne, do afeto trocado. Amou tem que rezar? A cartilha do amor é o corpo do êxtase levado ao destempero. Amar e sofrer. A corrupção do corpo. A delação da mente. Turvamos o historial para sentirmos a transparência de nós mesmos? Mia Couto dizia que a melhor maneira de mentir é ficar calado. E narrar o questionável? Si, sem o prazer não podemos parecer humanos. E o humano em nós desmonta o falso-sagrado em nós. Escrevemos para medir o destino, ou o amor é um erro?


Geraldo Lima é professor de literatura, e conhece do oficio de romancear. Tem outras obras, alguns prêmios, retrata as relações humanas levadas ao extremo, entre o zelo, entre a mancha; do achado entre o perdido, das neuras e dos perigos letrais das relações amorosas, feito um discurso da posse de, da libertação de, dos atropelos de.

Amar se aprende amando, diria o poeta. Há muita poesia no Romance UM de Geraldo Lima. Ler a obra é desnudá-lo. Ficamos cegos de tanto sentir, ou ler é tirar as tintas e panos do que ele conta, para sentirmos na pele que o livro vai além da experiência mística que inventa de contar?

Que hamster é o ser humano para o suplicio do conviver entre desiguais? Primatas querendo ser divinizados experimentam os horrores das contundências.

O Tibete talvez seja descobrir o humano em nós, depois que passamos tanto tempo no piloto automático da vida infame. E aí entra o amor na sua mais pura devoção, mesmo que paralelo ao medo do fotógrafo que retrata em nós a entrega despudorada, o inominável da submissão à carne, a tarja preta e o código de barras, feito sermos todos nós ainda e assim, por isso mesmo o Número UM, introspectivo ou não, daquilo que sabemos de nós, entre o defensor e o algoz, a consciência e a circunstancia de.

O escritor é o que, com uma lanterna, procura o número que somos que parecemos que multiplicamos em silêncios, palavras, moinhos de ventos, filtrações e sagradas escrituras. Sagradas?


*Silas Correa Leite Poeta, Ficcionista, Resenhista
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net


Da Redação Revista zaP!

Variedades

Elizabeth Metynoski

Caso Abner Elias Taborda e Fernando Iskierski. Eles eram atletas, militares, tinham 19 anos e...


 A Vida com ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica - Autora: Flora Cukierkorn Diskin

A cada 90 minutos alguém é diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica. Retrata Flora Cukierkorn Diskin...


Carlos Menck presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG). Células-tronco desenvolvidas em l

As células-tronco pluripotentes induzidas ainda estão sendo estudadas, mas...


Carlos Lúcio Gontijo Poeta, escritor e jornalista, fala de: Famílias desestruturadas e endividadas,

O Estado brasileiro é uma lição cotidiana de violência e menosprezo em relação à vida...


Marcello Árias Dias Danucalov. Para serem aprovados, os estudantes aumentam as horas dedicadas aos e

Psicofisiologista afirma que o pré-vestibular é um período estressante para grande parte dos jovens...


Luciana Leis é Psicóloga , especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade

- Penso que é bastante complicado quando acontece a perda da crença interna em ser mãe...


Elizabeth Misciasci

Ana, que só tocava Bolero de Ravel, ousou Chopin e retornou aos seus imperiosos...


É correto o voto ser obrigatório? Pelo Prof. J. Vasconcelos, autor de Democracia Pura

- É correto o voto ser obrigatório? Nobel, Professor José Vasconcelos, autor do Livro Democracia Pura


Fábio Antonio Gabriel

A filosofia moderna numa visão ampla, investiga com profundidade a questão da verdade e dos processos...


Advogada Iverly Antiqueira Dias Ferreira - Especialista em Direito Empresarial

Sendo um dos segmentos econômicos que mais crescem no Brasil, a franquia, com a abertura...


 Drª Juliana Marcondes Vianna

Podendo ser comprovada por cópias de e-mails, mensagens em sites e redes de relacionamentos...


Tom Coelho é  Educador, Conferencista E Escritor, com Artigos Publicados Em 15 Países.  Autor de

Você troca segurança por desafio, o que pode significar que está renunciando desejos para...


Vânia Moreira Diniz,  Crônica: Impotência, cruel realidade. Acesse, Leia e Veja Muito Mais...

A realização é algo que fascina principalmente porque nos transportamos e entendemos que não...


Dra. Victoria Lucía Aristizábal

avidez hambrienta, sucumbe ante la imaginación pródiga e irreprimible para todo escritor...


Eugénio de Sá.  Crônica  Provavelmente

Sem educação não há discernimento correcto e, não o havendo, qualquer ser humano assim...


Madeleine Mccann Caso  Maddie na íntegra

Uma criança desaparece. Seu nome Madeleine Beth McCann. Assim começa o grande mistério: Caso Maddie Atualizado


Redes Sociais zaP!

© Copyright Revista zaP. All Rights Reserved.
Designed by EUNANET