Publicado por Elizabeth Misciasci em 08/12/2009 20:51:00

Poeta da geração 60 de São Paulo, Rubens Jardim integrou o núcleo central da Catequese Poética, movimento iniciado em 1964 por Lindolf Bell, a fim de arrancar o poeta da torre de marfim e lançá-lo na conquista de todos os espaços possíveis – para o poema e para o poeta. A Catequese Poética foi ao Sermão do Viaduto (1964) e ao I Comício Poético da Praça da Sé (1965); realizou o primeiro recital de poemas em estádio de esportes no Brasil (PUC/ RJ) e de 1966 a 68 visitou as capitais e centenas de cidades do interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, fazendo apresentações em teatros, galerias, boates, escolas e universidades.
Rubens Jardim, que organizou e promoveu o Ano Jorge de Lima (1973), carrega na bagagem toda essa trajetória poética e a participação em uma dezena de antologias e sites de poesia na Internet, além dos livros publicados Ultimatum (1966, SP) e Espelho Riscado (1978, SP), ambos esgotados; o conto poético em homenagem ao centenário de Guimarães Rosa, Carta ao Homem do Sertão (2008, SP), e Cantares da Paixão (2008, SP). Tem também seu próprio site www.rubensjardim.com.
Em setembro de 2008, Jardim participou da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (I BIP), com a exposição de oito banners poéticos na Biblioteca Nacional de Brasília e com o mural Herrar é Umano, na Expo de Poesia Visual OBRANOME 2, realizada no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Além disso, atuou em poemações ocorridos na Barca Brasília pelo Lago Paranoá, no Café Balaio e no Bistrô Rayuela, no Plano Piloto. Lançou ainda Carta ao Homem do Sertão na Mini-Feira do Livro de Poesia, durante a abertura do evento, na BNB.
O que já se falou deste Poeta

- "Rubens Jardim solucionou, ao seu modo, e de maneira criativa uma série de impasses vividos pela poesia nas últimas décadas...
Neste livro ele se dá uma liberdade rara transitando entre as mais variadas formas. Pode-se dizer que ele faz uma síntese do que seria o poema-cartaz, o hai-kai, o poema-piada, o caligrama, a publicidade e o poema convencional. Pode tanto produzir um poema com o mínimo de palavras ou letras, como um magnífico soneto. Pode compor um poema voltado para problemas sociais ou para a repressão política, ou pode dedicar-se à sua infância e a temas subjetivamente familiares. E tudo com a desenvoltura de quem sabe o que está fazendo..."
Affonso Romano de Sant’Anna
(poeta e crítico)
- "Rubens Jardim quer uma poesia total, cujo centro é a palavra plena, mas que inclui o visual - o elaborado tratamento gráfico e a grande quantidade de ilustrações. ..No limite, aspira a uma síntese, através da qual se confundiria com seus poemas, e vice-versa: Para realizar essa síntese, a própria palavra tem que ultrapassar-se: daí criar vocábulos em alguns de seus poemas."
Cláudio Willer (poeta e crítico)
- "O fundamental, em Rubens Jardim, é o deslocamento do poema para fora da linguagem, o que é feito com maestria, no uso da palavra conhecida e na eventual quebra silábica do discurso."
O poeta reconhece: - "Parca é a palavra./ Este é o celeiro-livro/ na livre escolha/ esquálida/ das espigas." A colheita escassa no inventário do verbo sem nenhum poder empurra o poeta para longe do poema, transformando-o num catador de estilhaços, os restos de algo irreparável.
- "Impossível reproduzir numa resenha o impacto do trecho final do livro, que homenageia o primo tragicamente morto na queda de uma janela. O título é Estrepitoso estrepe e podemos selecionar alguns momentos, sem reproduzir o design dos versos na página: “Tenho velado nestes 50 anos a tua queda e não consigo remover do chão as marcas do teu corpo nem comover os degraus na escalada da tua morte. Hediondo instante. Você me deixou mais só diante do raio da rua e adiante de mim mesmo, irretratável realidade”.
Nei Duclós (poeta, escritor e jornalista)
- "Poeta Rubens Jardim: deixo de responder à sua carta-desencanto porque a melhor resposta lhe foi dada por você mesmo, em Espelho Riscado, cadernos de poesia-2.A poesia é exatamente o projeto de solução que encontramos para os desencontros e absurdos do mundo. E você dá bravamente o recado, em seus versos. Portanto, é seguir em frente, com as armas da lucidez e da esperança."
Carlos Drummond de Andrade (poeta)
- "Não é fácil fazer-se uma antologia. Notadamente
no caso de Jorge de Lima, poeta de várias fases e várias faces. Isso você conseguiu e com galhardia!"
Dantas Motta (poeta)
- "Rubens Jardim, você celebrou os 80 anos de Jorge com o mais belo monumento... Não sei de ensaio mais penetrante desse milagre da Poesia que foi Jorge de Lima... Um abraço Jardim, herói dessa façanha."
Menotti del Picchia (poeta)
- "Rubens Jardim, que parece ser o mais maduro do grupo --mais maduro e, no fundo, mais amargurado -- diz, significativamente, que sua infância foi exata como um relógio sem ponteiros."
Rolmes Barbosa(crítico)
- "Rubens é o poeta de hoje, definitivo e consumado. Ele só seria o poeta do futuro - como gostam de prever os críticos de rugas e casaca - se a arte admitisse progresso."
Flávio Márcio, (dramaturgo)
- "Poeta de talento o jovem Rubens Jardim do Ultimatum, que diz com o desassombro de seus 20 anos poesia em praça pública (como naquele Comício Poético, em outubro de 65, na Praça da Sé, em São Paulo)... E eu planto aqui no cerne de cada coração, o ultimatum da minha última esperança..."
Stella Leonardos
( poeta e crítica)
- "Três livros de poesias nos vieram às mãos esta semana. Um deles é firmado pelo jovem poeta Rubens Jardim. E tem um título bélico: Ultimatum.
A poesia de Rubens tem aquele sabor próprio da geração que os maiores insistem em não compreender, por comodismo ou incapacidade. É o protesto."
J.Pereira (crítico)
- "O livro Jorge, 80 Anos é efetivamente uma preciosa introdução à obra de Jorge de Lima...
O mínimo que se pode dizer é que Rubens Jardim fez o que deveríamos ter feito."
Nogueira Moutinho (crítico e ensaista)
OSCILAÇÃO
Ando por aí
paro em qualquer lugar.
Bebo guaraná
e vejo que Deus está
numa casa nova
e você sorrindo
por dentro. Por isso
tomemos um rum
neste lugar onde tudo
o que era já não é.
Diga aonde e quando
o amor é explicável.
Mas não repita
as ladainhas de sempre.
Meu coração é um sinistro
incêncio e não está no seguro.
Tudo é justificável, é claro.
Mas às vezes eu preciso ir
Não sei para onde
mas eu preciso ir
Sou hostil ao meu tempo
não uso relógio
e não suporto o mundo
Por isso escrevo
quieto no meu canto.
Falo pouco, ouço nada
e vejo menos ainda.
Mas minha pele sente o sol
e arde com o sal desses
mares já antes navegados.
Camões é referência, amor.
Pessoa é paixão
--sem fim e sem começo.
Por isso diga
Diga sem frescuras
quanto custou essa mistura
e essa domesticação dos desejos.
É claro que toda porta se abre
e se fecha e não adianta
o sábio explicar o combate
das substâncias.
O amor oscila entre dois
opostos: o cárcere e o refúgio.
Rubens Jardim

Descrição
Com apresentação de Afonso Romano de Sant"Anna e prefácio de Cláudio Willer, Cantares da Paixão marca o retorno de do poeta Rubens Jardim aos livros. Com 160 páginas ilustradas, alguns poemas já publicados em livros anteriores -- mas a grande maioria é constituída por poemas inéditos.Segundo Claudio Willer, poeta e crítico, o que caracteriza o trabalho de Rubens Jardim é ele querer "uma poesia total cujo centro é a palavra plena, mas que inclui o visual, o biográfico e o restante do contexto, daquilo que ocorreu nestas últimas décadas. No limite, aspira a uma síntese, através da qual se confundiria com seus poemas, e vice-versa: é a unidade sugerida pelo confronto, lado a lado, dos poemas sobre a rosa real e a rosa irreal; a coexistência do existente e do imaginado, do antiornato e do pleno pigmento. Para realizar essa síntese, a própria palavra tem que ultrapassar-se: daí criar vocábulos em alguns de seus poemas, além de explorar as possibilidades das homofonias e anagramas".
Título: Cantares da Paixão
Autor: Rubens Jardim
Edição: 1a. edição, 2009
Número de páginas: 160 páginas
Peso: 262 gramas
ISBN: 85-9962-915-8
Editora Artepaubrasil
Área: Literatura Brasileira
Esgotado