Publicado por Elizabeth Misciasci em 10/07/2011 17:55:00
Com sapiência, brilhantismo, conhecimento de causa, e um tema pouco difundido no País, o Prof. Dr. *Reginaldo Gomes de Oliveira da Universidade Federal de Roraima (UFRR), (Universidade Federal de Roraima) esteve presente como um dos conferencistas convidados no XI Fórum Internacional em Saúde: A Inclusão Social e a Saúde na Amazônia Ocidental e III Fórum de Saúde Coletiva do Estado do Acre.
Com pleno sucesso, importantes abordagens e significativa repercussão, assim como o próprio evento em si, a participação do Professor Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira, foi merecidamente aclamada, rendendo-lhe incontáveis convites, entre estes, para novos congressos, bem como, inúmeras solicitações para que lhe seja proporcionado mais tempo a fim de minudenciar sua fenomenal exposição sobre o tema pautado e seus conhecimentos.

Foto: Prof. Dr. *Reginaldo Gomes de Oliveira
Diante de tais fatos, obviamente, que não poderíamos perder essa excepcional oportunidade, para entrevistá-lo e saber um pouquinho mais sobre a sua trajetória, objetivos, história, enfim.
Referente a participação aos vinte e dois dias do mês de junho do ano de dois mil e onze.
Mesa Redonda: Políticas Afirmativas (Questão Indígena, Religiosa e o Negro) e a inclusão social
Conferencia Por:
Prof. Dr. *Reginaldo Gomes de Oliveira/Universidade Federal de Roraima-UFRR
Tema Abordado: "A Questão Urbana e o Indígena"
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Em que ano se deu o início de suas pesquisas e o porque do interesse dessa abordagem?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Em 2004, durante minhas aulas no curso de Especialização em História Regional, ao analisarmos a política governamental brasileira dos últimos 50 anos, que buscou programar o desenvolvimento de Roraima, identificamos o deslocamento indígena para a cidade de Boa Vista”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – E como tudo começou?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Percebemos que a memória coletiva vivenciada nos depoimentos do povo Makuxi e Wapichana relembrava também a origem da cidade de Boa Vista, com a fundação da Fazenda Boa Vista em 1830, construída na área das malocas Paraviana, Makuxi e Wapichana que habitavam o litoral do rio Branco”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Qual a visão ou entendimento dos indígenas, diante de Boa Vista (RR) como Capital?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Para alguns desses indígenas a organização urbana da cidade de Boa Vista incorporou o antigo território das Malocas do povo Paraviana, do povo Makuxi (Kuwai Kîrî) e do povo Wapichana (Kuaipyre), que se encontravam nas margens do rio Branco na época da instalação da referida Fazenda. Assim, parte dessa população indígena, acredita que nunca deixou o antigo território das malocas que se transformou na capital de Roraima.”
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – E estes povos indígenas, já aceitaram ou são conscientes das transformações?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Nesse contexto, a capital Boa Vista tornou-se uma cidade com grande contingente indígena que busca por reconhecimento de direitos como antigos habitantes da região”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Existe algum tipo de assistência ou atendimento voltado para cientizar essa população indígena?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Nesse sentido, a Universidade Federal de Roraima (UFRR), vem participando nos últimos anos com propostas de ações extensionistas voltadas ao atendimento dos povos indígenas no Estado de Roraima”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Já foi criado, ou está em andamento algum projeto especifico para este fim, ou são ações isoladas?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Sim, claro! Como foi o caso do Projeto Kuwai Kîrî (na língua Makuxi e Kuaipyre na língua Wapichana significam “Teso de buritizais e igarapé”) desenvolvido em parcerias entre a Pró-Reitoria de Extensão, o Núcleo de Pesquisas Eleitorais e Políticas da Amazônia (NUPEPA) e a Organização dos Indígenas da Cidade (ODIC)”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Então, esse projeto também conta com a participação de índios?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Sim, sem dúvidas! Esse projeto tanto conta com a participação dos índios urbanos de Boa Vista, como foi um dos marcos das propostas da UFRR em desenvolver estudos e divulgar a história dos índios urbanos da capital de Roraima, que habitam um território de fronteira entre Brasil, Guyana e Venezuela”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Como aconteceu a parceria entre ODIC e NUPEPA/UFRR?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “A ODIC, nos fez um convite para desenvolvermos um projeto de consultoria na área de História e Política, com esclarecimentos e estudos que apoiassem as argumentações dos índios urbanos na cidade de Boa Vista na busca de reconhecimento dos direitos indigenistas e de políticas públicas”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Com qual ideia ou objetivo?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “A ideia é que todos juntos possam desenvolver uma leitura mais acurada, que possibilite a percepção da atuação dos índios na cidade como um todo, em todas as trajetórias indígenas que compõem aspectos importantes do processo de formação da História Regional ou da História de Roraima. Nos debates vários termos eram reavaliados sobre a identidade do índio na cidade: caboclos, descendentes de índios, índios civilizados, índios misturados, entre outros termos que foram ganhando visibilidade por meio do processo histórico dos contatos interétnicos”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Fale um pouco mais dessa parceria, ela obteve algum outro resultado?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Neste sentido, a referida parceria resultou na criação de oficinas culturais em cinco bairros de Boa Vista: Araceli Souto Maior, São Bento (Brigadeiro), 13 de Setembro, Monte das Oliveiras e União. Estas oficinas, são voltadas para discussões com temas que contemplaram questões históricas, culturais, de direito e cidadania dos índios urbanos, sobretudo no que concerne sua inserção e participação na sociedade nacional”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Existe alguma estatística, ou dados, que possam nos dar um norte sobre essa ação?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Essa ação assistiu aproximadamente quatrocentos (400) indígenas que vivem no município de Boa Vista, mas, acreditamos que ainda não é suficiente, pois segundo dados divulgados pela ODIC, existem mais de trinta mil (30.000) índios urbanos na cidade boavistense, cuja maioria encontra-se vivendo em condições de extrema precariedade nos bairros menos favorecidos”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Diante de tais constatações, nasceu alguma prioridade de ação ou necessidade de fazer algo em especial?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Nesse conjunto de circunstância, fez-se necessário examinar as particulares experiências culturais indígenas no território circundante do Monte Roraima, antiga morada do herói-cultural Makunaima, (que inspirou Mário de Andrade a criar o personagem Macunaíma), presente na mitologia dos povos indígenas do tronco linguístico Karíb, com narrativas que explicam a formação dessa porção de terra amazônica perpetuada pela memória cultural indígena”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Qual foi a importância da memória histórica?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Ao considerar a disposição da Amazônia, em especial da Amazônia Caribenha, buscamos informações bibliográficas e cartográficas, revisitamos os arquivos, ouvimos os depoimentos dos índios mais idosos, remexemos vestígios da história e da cultura, para compreendermos a ilha da Amazônia Caribenha como antigo território dos índios Makuxi, Wai Wai, Taurepang, Ingarikó, Patamona, Wapichana, Yanomami, entre outros povos”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Onde é a ilha Amazônia Caribenha?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Ao observar a região Norte/Nordeste no Mapa da América do Sul, posso visualizar o caminho das águas marítimas e fluviais que margeiam todo o território da ilha Amazônia Caribenha. Ao apontar o primeiro caminho das águas reconheço o litoral Atlântico Norte entre o delta do rio Orinoco, na Venezuela, e do rio Amazonas, no Brasil, exibindo a imensa trilha marítima que marcou o início da colonização holandesa no referido litoral. Esse litoral amazônico marcou o primeiro encontro dos índios Karíb e Arawak com os holandeses que ocuparam a região desde 1581 até 1804 quando parte desse território amazônico foi formalmente entregue para o reino Britânico durante a Convenção de Londres (1814). Ao investigar o caminho das águas fluviais, percebo outras trilhas indígenas entre os rios Orinoco e Amazonas definindo as fronteiras no interior da Amazônia Caribenha. Outros caminhos fluviais que desenham os limites da ilha são assinalados pela margem esquerda do rio Amazonas e do rio Negro, pelo Canal de Cassiquiare, entre o Brasil e a Venezuela, e a margem direita do rio Orinoco. Isso é comprovado quando analisamos o Mapa Amazônia Caribenha exposto abaixo”:-

Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Quase nada sabemos ou percebemos na literatura brasileira sobre a presença da cultura holandesa na Amazônia, assim como são pouquíssimas e até raras as explicações históricas neste sentido. Existe alguma literatura mais ampla ou voltada a essa temática?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “A presença da cultura e língua holandesa na Amazônia é pouco estudada. Acerca das fronteiras do Brasil com o Suriname quase nada é encontrado na literatura histórica Luso-Brasileira. É na literatura Inglesa e dos Países Baixos que encontramos parte das explicações históricas sobre os holandeses na liderança do comércio no Atlântico Norte, por volta de 1570. Nesse período, a Holanda era uma das principais províncias dos Países Baixos governada pela Espanha”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – O senhor poderia nos fornecer maiores informações, declinando inclusive, aspectos relevantes que marcaram o passado, bem como fazem parte do presente desse território e suas distinções?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Um aspecto relevante para caracterização desse território é a comunicação marítima, fluvial e terrestre na referida ilha. Nesse contexto, os rios são de difícil navegação em decorrência das cachoeiras e das serras que formam uma espécie de muralha natural entre o interior e o litoral. A complexidade geográfica delineada pelo planalto das Guianas, Tumucumaque e outras serras de pequeno porte, marca os limites das fronteiras nacionais e internacionais nessa área amazônica caribenha.
Assim como no passado e no presente, os indígenas Karíb e Arawak reconhecem esse solo ocupado pelos cinco países (Brasil, Venezuela, Guyana, Suriname e Guiana Francesa) como pertencente aos ancestrais indígenas, pois dominam o conhecimento da malha de comunicação marítima, fluvial e terrestre na região, auxiliando grupos indígenas a deslocarem-se de forma semelhante ao do passado, conduzindo os viajantes ao litoral e para o interior e vice versa, ora navegando, ora caminhando até o próximo rio em direção ao destino desejado. No passado, os viajantes procuravam o lendário El Dorado sem sucesso. Hoje, os viajantes utilizam esses caminhos - aquático e terrestre - entre o interior (rio Branco) e o litoral amazônico-caribenho reorganizando as trocas socioculturais nas fronteiras transnacionais. Em Pós-modernidade, os povos Patamona, Taurepang, Ingarikó, Makuxi, Maiongong, Wai Wai, Pemon, Wapichana, Yanomami, Akawaio, entre outros, (considerados como primeiros habitantes desse espaço amazônico), buscam por direitos históricos. Eles comentam, sobre o enorme esforço em manterem a identidade étnica e absorverem a cultura nacional de cada país, sem perderem o modo de ser índio no contexto amazônico-caribenho”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Como os índios convivem nesse contexto internacional?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Apesar do Estado de Roraima possuir representantes de diversas etnias indígenas que ocupam diferentes áreas num contexto de fronteiras internacionais, ainda são escassos os trabalhos demográficos que abordam de maneira clara o tamanho e a dinâmica dessas populações, as condições de vida desses povos, (em particular das famílias indígenas) moradoras dos municípios e vilas de Roraima e dos países vizinhos”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Os indígenas focam necessidades, reclamam das relações, condições, ou buscam melhorias sob algum aspecto em particular?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Os indígenas da ODIC, reclamam da necessidade de mapearem-se as relações de convivência dos povos indígenas que se deslocam entre o contexto rural e o urbano de fronteiras internacionais, que delimitam a formação da identidade dos países que ocupam a Amazônia. São nações herdeiras da convivência cultural ibérica, anglo-saxão, anglo-germânico e franco-guianês, que ganham outras interpretações quando inclui os povos indígenas no debate de construção da identidade cultural regional e fronteiriça.
Como exemplo, podemos verificar o deslocamento do povo Makuxi ou Wapichana morador da região do Cantá ou Bonfim (Brasil) com os do Anai ou Sul do Rupununi (Guyana), que buscam por melhores condições de vida ora no litoral (em Georgetown/ Guyana) e ora no interior (em Boa Vista/ Roraima-Brasil)”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – A população indígena, percebe essa ramificação, bem como compreende essa divisão entre os estados?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Na cultura indígena, essa divisão entre os Estados Nacionais não é clara! Desse modo, os indígenas chegam à capital Georgetown ou em Boa Vista, ora sozinhos e ora em grupos familiares, redefinindo as identidades étnicas na cidade, sem definição clara de serem brasileiros, guyaneses ou venezuelanos”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – O não respeito à auto-identificação é um dos conflitos?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Com relação às Políticas Indigenistas em Roraima, podemos dizer que esse tema ainda suscita controvérsias em vários segmentos da sociedade roraimense”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Por que?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Porque há uma resistência no reconhecimento do direito do índio urbano, em decorrência de uma política indigenista nacional que reconhece as populações indígenas aldeadas ou em comunidades rurais. O movimento dos índios urbanos, reclamam uma cidadania brasileira diferenciada, que seja assegurado o direito de auto-identificação dos povos indígenas emergentes no contexto urbano de Boa Vista”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Mas, juridicamente falando, existe algum direito à auto-identificação indígena, garantido em lei?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Sim. A auto-identificação indígena é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, mas, é antes de tudo, um importante reconhecimento da consciência política de ser índio. Na cidade de Boa Vista é crescente a tendência da auto-identificação indígena, porém, isso não significa que qualquer um pode ser índio”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Como é possível constituir essencialmente esse reconhecimento, concebendo-o de maneira nítida e correta?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Como exemplo, a Organização dos Indígenas da Cidade (ODIC) realiza na capital de Roraima um levantamento com base em critérios referentes à auto-identificação, com informações étnico-históricas e etnico-fisionômicas”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Como e porque foi criado esse trabalho de levantamento com base em critérios?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Pela mobilização dos povos indígenas no contexto da cidade, com reivindicações de reconhecimento do direito de auto-identificação das identidades étnicas, que deu visibilidade à existência de comunidades indígenas nos diferentes bairros de Boa Vista”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Eles se diferenciam quando chegam a capital de Roraima?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “Ao chegarem à cidade de Boa Vista, trazem toda a sua história sociocultural e misturam com elementos socioculturais urbanos, sem perderem suas identidades étnicas”.
Elizabeth Misciasci - Revista zaP! – Quanto à documentação de permanência e a moradia, há a obrigatoriedade ou necessidade de regularização, e é com facilidade que eles se estabelecem?
Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
- “São poucos que conseguiram regularizar a documentação da casa e do terreno na cidade, mas há muitas áreas na capital que abrigam Makuxi, Wapichana, Wai Wai, Patamona, Taurepang, Ingarikó, entre outros povos que representam um grande contingente da população urbana nessa área amazônica de cultura caribenha”.
Revista zaP! Finalizamos, agradecendo-lhe pelo privilégio e a honra de ter nos concedido essa entrevista, desejando-lhe sempre muito sucesso, com a respectiva valoração, e notoriedade, que há muito, se faz indubitavelmente, necessária! Esperamos que esse seu tão expressivo, importante e essencial trabalho, assim como o de todos os envolvidos na questão, tenham mais olhares direcionados a temática, e estes, que não se limitem... Recebendo especial atenção do nosso Estado Maior, através de seus representantes, e por nossa sociedade como um todo.
Muitíssimo Obrigada!
Elizabeth Misciasci e toda a Equipe zaP!

Foto: Prof. Dr. *Reginaldo Gomes de Oliveira entregando ao Dr. Creso Lopes Machado organizador e idealizador do Fórum Acre 2011
* Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Oliveira
Nasceu em Boa Vista capital do Estado de Roraima, é Doutor em História Social pela USP, Professor Associado do Departamento de História da Universidade Federal de Roraima, Coordenador Científico do Núcleo de Pesquisas Eleitorais e Políticas da Amazônia (NUPEPA), Consultor Voluntário na Organização dos Indígenas da Cidade (ODIC), Pesquisador Visitante na Universidade de Guyana (Georgetown) e na Anton de Kom Universidade do Suriname (Paramaribo) e autor de várias e importantes obras literárias.
Por: Elizabeth Misciasci
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