Mais cruéis e desumanas que a permanência carcerária feminina
e a escassez gritante de recursos a que estão submetidos os
agentes prisionais e profissionais ativos do sistema, é a
forma pela qual se tem retratado o assunto em A Favorita.
Mesmo em se tratando de uma ficção, o tema vem sendo explorado de forma abrangente, porém equivocada e absurdamente infeliz. Não se atenta aqui, a produção, interpretação ou Estado cenográfico. O que ocorre, é que o assunto é extenso dentro de uma fragilidade irretratável.
O aumento célere do número do feminil aprisionado, não esta acoplada a esta realidade, sendo um reptar que necessita de medidas urgentes para que se estabeleçam mudanças.
Nas Penitenciárias Femininas o dia de visita, tem todo um aparato que antecede a data esperada. As faxinas rotineiras, tornaram-se regras indiscutíveis. Afinal, o dia de visita é um dia Especial...
A mulher na condição de pessoa presa, costumava ser mais falante, com aptidão a se aproximar de quem confiava e estava sempre pronta a fazer pose e deixar se fotografar. Mais tantas foram as vezes, que se viram em constrangimentos familiares após a divulgação de suas imagens e com o agravante de verem completamente modificados seus argumentos e entrevistas, que começaram a se calar... -“Fiquei presa doze anos, por homicídio. A vida na cadeia nos limita e quando saí pude perceber que perdi a noção de quem eu era. Minha liberdade"...
Destaque - Urariano Mota é natural do Recife. Publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e demais publicações alternativas, na época da ditadura.